Adão e Eva

Personagens Bíblicos se misturam invertendo o sagrado. Joao Paulo Godinho colocou o episódio bíblico num contexto em que o Mal, que sempre nos aflige, é escolha nossa, pois nem temos a quem culpar, já que, aparentemente e num primeiro momento, o “bode expiatório”, o primeiro casal, obedeceu a Deus. O sagrado (Gênesis) se mistura ao profano na fala do Frei Bento: “Eu, senhora minha, toco viola, respondeu sorrindo; e não mentia, porque era insigne na viola e na harpa, não menos que na teologia”) e uma vez que “foi o Diabo que criou o mundo” coube a Deus somente o papel de corrigir ou atenuar a obra.

Especificamente no conto Adão e Eva, nossas reflexões teológicas e, por extensão sobre a condição humana, serão estimuladas pela carnavalização, pela paródia e pela sátira menipeia. Com humor e com pessimismo, mas sem dizer que o mundo é exclusivamente mau, Machado de Assis, perscrutando a alma humana, solta sua narrativa e permite que o leitor reflita teologicamente. A ironia sobeja: frei Bento toca viola; o juiz-de-fora é que vai dar outra versão
sobre a história da criação do mundo e o Pentateuco é apócrifo, o que causa estranhamento.

Portanto, o autor, além de desconstruir todo um imaginário que a instituição oficial transmitiu, nos faz debruçar sobre um tema com o qual o ser humano sempre se deparou e para o qual nunca encontrou uma resposta que esgotasse o assunto: o Mal. E a maior desconstrução que Machado de Assis realizou no conto que ora apresentamos é sugerir que o Mal existiu antes do Bem e que o Tinhoso começou a agir antes da atuação divina.

 

Valor do Espetáculo: R$60,00 inteira / R$30,00 meia entrada

Ingressos antecipados em:

Classificação indicativa: 14 anos

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